Ayahuasca: esclarecimentos científicos e legais

A AYAHUASCA é o resultado da decocção de duas plantas, um cipó de nome Jagube (Banisteriopsis Caapi) e a folha de um arbusto de nome Chacrona (Psicotria Viridis), portanto, nosso tratamento é de caráter fitoterápico e complementar, contudo, em nossa experiência asseguramos que é possível, em apenas um Ritual de uma noite o indivíduo se libertar do vício químico, orgânico e mental. Elucidamos ainda que PESQUISAS CIENTÍFICAS sobre a AYAHUASCA afirmam que esta substância NÃO causa dependência e nenhum malefício ao organismo humano e ao aparelho psíquico, o que pode ser comprovado através de diversos estudos que serão expostos neste site e também por decisões do CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICAS SOBRE DROGAS – CONAD, como as RESOLUÇÕES Nº 05 de 04 de novembro de 2004 e N° 01 de 26 de janeiro de 2010 , informações que podem ser confirmadas pelo Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e Presidente do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas, GENERAL DE EXÉRCITO JORGE ARMANDO FELIX ou o SECRETÁRIO EXECUTICO DO CONAD, GENERAL DE DIVISÃO PAULO ROBERTO YOG DE MIRANDA UCHÔA.

A Ayahuasca não causa dependência fisiológica ou comportamentos associados à dependência como abstinência, comportamento de abuso ou perda social, devido ao sistema serotoninégico. Não se observa deterioração física ou psicológica com o uso regular (Callaway et al. 1999).Você sabia que uma substância que tem em sua composição bioquímica Dimetiltriptamina (DMT), ela precisa de no mínimo 2% de DMT em sua farmacologia para ser enquadrada como droga alucinógena?A AYAHUASCA tem 100 vezes menos DMT do que é estipulado pela CIÊNCIA: sua composição farmacológica padrão é de 0,02% de DMT, portanto de acordo com os parâmetros científicos internacionais, a Ayahuasca não pode ser considerada droga, de tal forma que não consta da lista de substâncias proscritas da Organização das Nações Unidas – ONU.A VISÃO CIENTÍFICA SOBRE AYAHUASCA

Rodrigo Borges de Avó – biólogo

Introdução
A terminologia da palavra “ayahuasca” apresenta muitos significados, sendo os mais peculiares: “chicote da alma” e “pequena morte” (LAKOTAS, 2007).
Os primeiros relatos europeus desta bebida foram feitos pelos jesuítas, que a
descreveram como uma “bebida diabólica”, possívelmente por sua propriedade psicoativa. A utilidade desta decocção só foi descrita para os europeus por Richard Spruce, em 1873 (CALLAWAY, 2005a).
Ayahuasca, Daime ou “Vinho das Almas” é a bebida resultante da decocção de duas plantas nativas da Amazônia : jagube – Banisteriopsis caapi [(Spruce ex Griseb.) C.V. Morton] , liana da família Malpighiaceae; e chacrona – Psycotria viridis (Ruiz & Pav.), arbusto da família Rubiaceae, que pode chegar a três metros de altura, do qual se utilizam apenas as folhas (Freitas, 2002).

Farmacologia

O B. caapi contém β-carbolinas como harmina, tetrahidroharmina, e harmalina (inibidores da enzima monoaminoxidase-MAO). Já a Psycotria viridis contém principalmente N,N-dimetiltriptamina (DMT), agonista de receptores serotoninérrgicos 5-HT2A (McKenna et al., 1984).
Mesmo sendo um potente psicoativo, a N,N-dimetiltriptamina é inativa em doses de até um grama por via oral, provavelmente devido à degradação pela enzima MAO do trato gastrintestinal e fígado (McKenna, 2004). Porém, quando a DMT se combina com os inibidores da enzima MAO, como as β-carbolinas, se torna capaz de atingir o sistema circulatório e o sistema nervoso central, produzindo seus efeitos psicoativos (McKenna et al., 1984), sendo efeito da DMT a hiperativação prolongada das funções cerebrais de percepção (perceptivas), de conhecimento (cognitivas) e de memória, que representam a base do psiquismo humano, no que diz respeito aos aspectos operativos da consciência: conhecer, compreender e memorizar ou recordar (Freitas, 2002).
A inibição dos dois sistemas, MAO e reabsorção de serotonina, pelas β- carbolinas presentes no jagube, podem resultar em elevados níveis de serotonina no cérebro (McKenna et al., 1998).
Ausência de dependência

A droga-adição é uma enfermidade crônica caracterizada por forte compulsão em adquirir e consumir uma determinada droga psicoativa e por alta incidência de recaída após períodos prolongados em abstinência (Koob, 2000; Nestler, 2002; White, 2002; Kalivas et al., 2003). Sem dúvida a dopamina é a molécula mais diretamente implicada na dependência às drogas de abuso, principalmente atuando na via mesolímbica dopaminérgica, conjunto de neurônios dopaminérgicos que se originam na área tegmentar ventral e projetam-se para o núcleo acumbens e córtex pré-frontal (Koob, 2000; White, 2002; Nestler, 2002; Wise 2002). Ainda, sabe-se que o sistema serotoninérgico modula ativamente o funcionamento da sinalização dopaminérgica (Vengeliene et al., 2008). Neste sentido, a manipulação farmacológica do sistema serotoninérgico representa um importante alvo terapêutico no contexto da dependência química.
A Ayahuasca não causa dependência fisiológica ou comportamentos associados à dependência como abstinência, comportamento de abuso ou perda social, devido ao sistema serotoninégico. Não se observa deterioração física ou psicológica com o uso regular (Callaway et al. 1999). Diferentemente do álcool, da cocaína e anfetamina, que utilizam do sistema dopaminégico, causando elevados níves de prazer.

Ausência de intoxicação

Do ponto de vista metabólico, níveis de serotonina aumentam depois da inibição da MAO, estimulando o nervo vago do cérebro, o qual inerva o trato digestivo. Evacuação do trato digestivo superior e inferior pode ocorrer com ingestão de doses excessivas de Ayahuasca, o qual é um reflexo natural que atua como um falso mecanismo de defesa contra a possibilidade de uma “overdose” fatal neste caso (CALLAWAY, 2005b), dificultando ainda mais a ingestão da dose letal.
Dose letal é a quantidade de uma substância que uma vez ingerida leva ao óbito, sendo que na Ayahuasca esta dose é de 7,8 litros. Para fins de comparação, a dose letal da água pura é de 10 litros; a do suco de maracujá, 8 litros e a do uísque e da cachaça brasileira, 1 litro. Vale ressaltar que em um trabalho de 12 horas, em determinados institutos é ingerido no máximo 200mL da bebida (LAKOTAS, 2007).

Alucinações ou visões?

Segundo o ponto de vista farmacológico, a DMT, LSD, mescalina e a psilocibina são considerados alucinógenos de primeira classe (DITTTRICH, 1998), pois, estes são agonistas dos receptores 5-HT2A, ocorrendo alucinações.

A DMT está presente em tecidos de mamíferos, animais marinhos e anfíbios. Nos seres humanos é uma substância endógena encontrada no sangue, urina e no fluído cérebroespinhal. Possivelmente liberada pela glândula pineal, a DMT é produzida em estados profundos de meditação, no nascimento e em experiências de quase morte (STRASSMAN, 2001).
As β- carbolinas podem apresentar alguma psicoatividade, e podem contribuir para a atividade psicotrópica em geral proporcionada pelo Daime, porém é provavelmente incorreto caracterizar as propriedades psicotrópicas das β-carbolinas como alucinógenas ou psicodélicas (SHULGIN et al., 1997). Em dose regular de Ayahuasca, as β- carbolinas estão abaixo do limiar de sua dose alucinogênica (MCKENNA, 2004).
Alguns autores consideram que o uso do termo “alucinógeno” para a Ayahuasca não é apropriado, pois esta manifesta visões, e não alucinações. Porém, é necessário mais estudos para haver melhor classificação.

Propriedades teraupêuticas

Na última década tem sido verificado um interesse particular quanto à utilização da bebida para fins terapêuticos. Estes trabalhos baseiam-se no fato de que a Ayahuasca, embora potencialmente psicoativa, não apresenta outros efeitos adversos importantes. De fato, em um estudo comparativo, Gable constatou que entre a codeína, mescalina ou metadona, a DMT é o composto que possui uma maior janela terapêutica. Além disso, diferente da codeína ou metadona, a DMT tem potencial mínimo de causar dependência química (Gable, 2007). Ainda Doering-Silveira e colaboradores constataram que adolescentes que utilizavam Ayahuasca num contexto religioso não apresentaram prejuízos de desempenho em testes de atenção rápida, procura visual, sequenciamento, velocidade psicomotora, habilidades visuais e verbais, memória e flexibilidade mental (Doering-Silveira et al., 2005).

Segundo McKenna, a análise da personalidade dos indivíduos experimentais (com Ayahuasca) tendiam a ser pessoas mais seguras, calmas, dispostas, alegres, emocionalmente maduras, ordeiras, persistentes e confiantes em si mesmas em relação aos indivíduos do grupo controle (Mckenna et al., 1998).

Os potenciais terapêuticos já foram relatados por diversos autores, no caso de terapia para vícios (abuso de álcool, tabaco, anfetaminas etc), como em alguns tratamentos de desordens psiquiátricas, tais como alcoolismo, depressão, autismo, esquizofrenia, desordem de déficit de atenção por hiperatividade, demência senil, são baseados em certas substâncias presentes na Ayahuasca capazes de modular a expressão dos genes dos transportadores de serotonina (McKenna, 2004).
O uso terapêutico do “Vinho das Almas” tem sido estudado por alguns grupos de pesquisadores que verificaram que o consumo agudo da bebida, embora não altere de forma significativa os sintomas de pacientes com transtorno de ansiedade generalizada, minimiza drasticamente os sintomas de pacientes com síndrome do pânico (Santos et al., 2007). Ainda, em um estudo recente realizado no Hospital Universitário da Universidade de Harvard, foram questionados 40 usuários que utilizavam Ayahuasca semanalmente. Dentre destes, 19 usuários possuíam critérios para transtornos psiquiátricos. Foi constatada uma remissão parcial dos sintomas psiquiátricos em 24% destes pacientes, sendo que 32% dos 19 participantes acreditaram que a diminuição dos sintomas estava relacionada à questão religiosa associada ao uso da Ayahuasca. O achado mais interessante foi que dos 40 participantes do trabalho, 60% apresentavam histórico de dependência ao álcool ou outras drogas de abuso. Ainda, considerando a amostra com problema de dependência, 55% relataram remissão total dos sintomas e 21% acreditavam que a “cura” foi decorrente dos aspectos religiosos associados ao uso da Ayahuasca (Halpern et al., 2008).

O transtorno afetivo genericamente denominado de “depressão” é caracterizado por sentimentos de tristeza, autodepreciação, desvalorização, abandono, culpa, desesperança, ideias de suicídio, apatia, incapacidade de sentir prazer, angústia, “vazio emocional” e alterações físicas como transtornos de sono, apetite e função sexual, indigestão, boca seca, palpitações, tremor, sudorese, dificuldade de concentração, dificuldade respiratória, dor, etc (Graeff e Brandão, 1999). Este fenômeno possui relações com a psiquiatria, genética, psicologia experimental, psicofarmacologia, neuroquímica, neurofisiologia e biologia molecular, o que corrobora suas possíveis bases neurobiológicas (Santos, 2006).

O tratamento farmacológico da depressão tem utilizado várias substâncias nos últimos anos, entre elas, os inibidores da monoamino oxidase (IMAO’s), os antidepressivos tricíclicos e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina. Os IMAO’s são antidepressivos que inibem irreversivelmente ou reversivelmente a MAO-A, que desamina preferencialmente noradrenalina e serotonina, ou a MAO-B, que, por sua vez, desamina a beta-feniletilamina e benzilamina, aumentando as concentrações destas substâncias no cérebro. A principal ação farmacológica dos antidepressivos tricíclicos é a capacidade de bloqueio da recaptação neuronal de monoaminas cerebrais, entre elas, a serotonina e a noradrenalina. Os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina impedem o retorno deste neurotransmissor para o neurônio pré-sináptico, fazendo com que a serotonina permaneça mais tempo na fenda sináptica, ou seja, age como um agonista serotoninérgico indireto. As três classes de antidepressivos possuem a capacidade de aumentar as concentrações da serotonina no cérebro, por meio do bloqueio de sua recaptação ou da inibição de sua desaminação (Santos, 2006).
O fato da Ayahuasca possuir em sua composição química alcalóides capazes de inibir a monoamino oxidase (harmina, tetrahidroharmina e harmalina), a recaptação seletiva de serotonina (tetrahidroharmina) e de mimetizar a ação deste neurotransmissor (DMT), propriedades compartilhadas por diversas substâncias usadas no tratamento farmacológico depressão, levanta-se a possibilidade de melhora destas patologias com o uso da Ayahuasca (Santos, 2006).
Pelo exposto, torna-se claro que a Ayahuasca apresenta potencial terapêutico para dependência química e depressão. O uso de certas plantas para o tratamento de dependentes químicos já vem sendo aplicado por alguns anos, como no caso da Tabernanthe iboga cujo princípio ativo é a ibogaína, utilizada para tratamento de dependentes de heroína, cocaína, anfetamina e álcool (Hittner e Quello, 2004).
Considerações finais

É responsabilidade do líder espiritual do instituto, tomar as devidas precauções, como de não ingerir Ayahuasca em casos de mulhers grávidas acima de três meses, cirurgias próximas, uso de medicamentos restritos, histórico de distúrbios mentais, hepatite, bem como pessoas debilitadas físicamente. Por fim, não se deve utilizar ou misturar drogas com Ayahuasca